Dioniso e Apolo discutem no Olimpo: Qual será a melhor bebida?
A divindade vinícola defende, é claro, o vinho. Irreverente, ébrio, doce, palatavelmente divino e com a propriedade e saciar a sede existencialista. Por sua vez, o soberano do Sol aponta o fel como principal líquido. Amargo, impalatável, intragável, porém aparente à época, símbolo de status entre as divindades e causa da soberba entre todos, é ele quem sacia a sede fútil da sociedade vil.
O filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, em seu célebre livro "Assim falo Zaratustra" defende a transformação humana. Nascemos e transformamo-nos em Leões, ferozes, insaciáveis pelo conhecimento, impetuosos, sem temores ou fraquezas. Saímos dos moldes felinos assumindo as propriedades de um camelo, fortes, resistentes, duros, mas submissos, cargueiros, subalternos. Eis que enfim, poucos de nós transformamo-nos em crianças, pois só elas tem criatividade, condições de evolução e, principalmente, autenticidade.
O pai da psicanálise, por sua vez, Sigmund Freud, em uma de suas famosas explicações acerca do comportamento humano, profere que todos tornamo-nos adultos, todavia para tanto, necessitamos escolher uma máscara, a qual usaremos em todos os momentos aos quais somos submetidos.
Juntando as duas teorias, não diferentemente excepcionais, e compararmo-las às bebidas que devemos ingerir para evoluir, diremos que a irreverência e essência infantil está para o vinho dionisíaco, assim como a máscara freudiana está para o status quo do fel apolínico.
O politicamente correto é algo que nos consome em nossas crônicas diárias. O que dizer, como pensar, reagir, atribuir, reclamar, ..., existir, o que demonstra a falsidade dos Apolos constituintes da sociedade. O negro tornou-se afro-descendente -o que fazer com nomes como Walter Negrão?- e o gordo, fisicamente avantajado - não vejo vantagem alguma. É uma insana hipocrisia pensar que a simples substituição da forma de tratamento isente da contemporaneidade o racismo, xenofobia, homofobia ou a nova emofobia (aqueles de franja colorida).
A transformação de adultos em criança, mesmo no mundo da conotação, é utópica. Continuamente Apolos vencem Dionisos e impõem o fel da aparência à sociedade. As convicções estão arraigadas de tal forma ao solo social, que passam imunes às tempestades racionais que adentram a floresta humana de tempos em tempos.
O fel afoga as mentes politicamente corretas, enquanto o vinho envelhece nas lembranças de quando éramos leões. Foda-se o politicamente correto! Digamos não a ele, para que as convicções assumam sua hipocrisia e a verdade embriague-se no mais puro vinho divino.
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