Excelentíssimo Deus,
Em primeiro lugar, agradeço-lhe por escolher-nos, os brancos, ocidentais e cristãos como detentores e divulgadores de vossa verdade. Posteriormente, e não menos importante, venho por meio deste singelo texto suplicar por providências quanto aos maus tratos que os animais recebem neste, que é o seu planeta favorito.
Vossa excelência há de convir que o homem, feito à vossa imagem e semelhança - de muito bom gosto, por sinal - usa da superioridade intelectual para abusar dos pobres seres menos evoluídos. As indústrias farmacêuticas, por exemplo, fecham os olhos aos diretos dos animais - possivelmente escritos pelo Senhor em alguma pedra - ao testarem substâncias experimentais em ratinhos; os chineses, por sua vez, têm na culinária pratos a base de carne canina - imaginam se cada chinês resolvesse comer um cachorro hoje... Escondam o Bilú!; Aves, suínos e bovinos são confinados para morte, ou pior, usados em comerciais de televisão. Quanta crueldade!
Santidade, a hipocrisia, que concedestes ao homem é demasiadamente grande. Vejamos: sem o experimento realizados com animais, a farmacologia e medicina não evoluiriam à passos atuais; os chineses têm no "cachorro-quente" um fator cultural, assim como temos de subjugá-los; o confinamento de animais para abate é fonte de alimento para milhões. Há no entanto uma lei sendo julgada pelo senado federal colocando a questão da exploração aos bixinhos em cheque, o que confronta a manutenção da espécie humana.
De fato, alguns exemplares de nossa espécie - espero que apenas humanos leiam meus textos - apresentam-se negligentes quanto ao bem estar de seus estimados companheiros interespecíficos, contudo faz-se desnecessário a sanção de uma lei, visto que nossos senadores trabalham arduamente e não teriam tempo para tal. Quanto ao sensacionalismo que ouvimos de autores de artigos do gênero, suplico que repense a confecção deste mundo, e se por ventura quiser refazê-lo, faça-o em mais de 6 dias para um melhor resultado.
Espero que nosso encontro se adie o máximo possível, mas quando fizer-des perante a mim, tenho certas perguntas pertinentes...
Sem mais delongas, Nihil Gnõthi