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domingo, 24 de outubro de 2010

Linhas imaginárias

"Uma mentira, contada repetidas vezes da mesma forma, torna-se verdade." A frase é de Joseph Goebbels -conhece?- Ministro da Publicidade Hitler, explica o surgimento das convicções, tão perseguidas pelo filósofo alemão Nietzsche. O conceito semântico de fronteiras é um exemplo dessas convenções oriundas das convicções dos difusores de opinião (classes dominantes).
476. É esse o ano cristão limítrofe entre a idade antiga e a idade média, pois marca a invasão romana pelos guerreiros germânicos. Se questionarmos as mudanças que ocorreram nesse ano na vida das pessoas teríamos uma surpresa. O homem que plantava trigo, agora planta...trigo, é casado com a mesma mulher, brinca igualmente com os filhos, trabalha o mesmo período do dia, enfim, a vida não mudou em nada. O processo de transformação sócio-cultural foi extremamente lento, marcado por mudanças seculares.
Patrícios e Plebeus; Romanos e Bárbaros; Bem e Mal; Nobres e Comuns; Brancos e Negros; Tutizus e Hutus; Dilmistas e Serristas. Em cada situação são estabelecidos fatores e características segregadoras e classificatórias de acordo com o jogo de poderes entre as elites do determinado contexto histórico. A tarja designa as possibilidades sociais, limita o livre arbítrio e confere pré-conceitos.
Século XXI. I-pods, supercomputadores, micro-chips, nanotecnologias, informações e instantaneidade de comunicações. Em meio a terceira revolução industrial, vivemos cercados de tecnologias que fizeram do tempo e espaço quesitos obsoletos e, concomitantemente, serviram de fator limitante entre inclusos e exclusos da sociedade high-tech. As discrepâncias sócio-culturais, devido à imprensa, são mais conhecidas, porém não maiores que de outrora; os classificantes são outros, contudo, exploradores e explorados mantém suas relações.
O fato de algumas fronteiras estarem liquefazendo-se, e outras solidificando-se, apenas demonstra a variedade dos interesses das classes dominantes difusoras de opinião. A evolução científica progride às asas supersônicas dos novos tempos, ao passo que a social é passageira dos antigos carros de bois. Einstein, exemplo de quem transitava pelos vieses sociais e científicos, afirma a um jornal alemão que "estamos em tempos difíceis, em que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito".
Goebbels estava certo, pois é nítido que vivemos embreagados em mentiras verdadeiras que nos julgam, muitas vezes, pelo que não temos condições de mudar. Eis nossa vida, uma sequência de falsidades que não temos coragem de mudar. Mudemos.

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