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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Proteção aos animais

Excelentíssimo Deus,
Em primeiro lugar, agradeço-lhe por escolher-nos, os brancos, ocidentais e cristãos como detentores e divulgadores de vossa verdade. Posteriormente, e não menos importante, venho por meio deste singelo texto suplicar por providências quanto aos maus tratos que os animais recebem neste, que é o seu planeta favorito.
Vossa excelência há de convir que o homem, feito à vossa imagem e semelhança - de muito bom gosto, por sinal - usa da superioridade intelectual para abusar dos pobres seres menos evoluídos. As indústrias farmacêuticas, por exemplo, fecham os olhos aos diretos dos animais - possivelmente escritos pelo Senhor em alguma pedra - ao testarem substâncias experimentais em ratinhos; os chineses, por sua vez, têm na culinária pratos a base de carne canina - imaginam se cada chinês resolvesse comer um cachorro hoje... Escondam o Bilú!; Aves, suínos e bovinos são confinados para morte, ou pior, usados em comerciais de televisão. Quanta crueldade!
Santidade, a hipocrisia, que concedestes ao homem é demasiadamente grande. Vejamos: sem o experimento realizados com animais, a farmacologia e medicina não evoluiriam à passos atuais; os chineses têm no "cachorro-quente" um fator cultural, assim como temos de subjugá-los; o confinamento de animais para abate é fonte de alimento para milhões. Há no entanto uma lei sendo julgada pelo senado federal colocando a questão da exploração aos bixinhos em cheque, o que confronta a manutenção da espécie humana.
De fato, alguns exemplares de nossa espécie - espero que apenas humanos leiam meus textos - apresentam-se negligentes quanto ao bem estar de seus estimados companheiros interespecíficos, contudo faz-se desnecessário a sanção de uma lei, visto que nossos senadores trabalham arduamente e não teriam tempo para tal. Quanto ao sensacionalismo que ouvimos de autores de artigos do gênero, suplico que repense a confecção deste mundo, e se por ventura quiser refazê-lo, faça-o em mais de 6 dias para um melhor resultado.
Espero que nosso encontro se adie o máximo possível, mas quando fizer-des perante a mim, tenho certas perguntas pertinentes...
Sem mais delongas, Nihil Gnõthi

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O estilo próprio e o coperativismo

Trovadorismo; classicismo; barroco; arcadismo; romantismo; realismo; parnasianismo. Escolas literárias que se subsequenciam apresentando peculiaridades e especificidades analisadas, concomitantemente aos respectivos períodos históricos, no processo de interpretação do estilo ao qual pertencem. Sobretudo, há na contemporaneidade certas divergências de penasamentos quanto a obsolescência ou universalidade dos estilos individuais nos âmbitos de uma possível crise na arte escrita e nos textos colaborativos como, por exemplo, este Blog.
A decadência da grafia, suposta por uma parcela nada desprezível de pensadores, é atribuída à crise de pensamento dos autores, seja pelo despreparo intelectual, má formação educacional ou carência de senso crítico, isentando a conformidade estilística probabilidade de existência. Os mesmos pensadores advogam a favor do estilo próprio, defendendo a existência da personalidade autoral, apesar de seus conteúdos deteriorados.
Há, entretanto, outra importância de escritores, estes seduzidos pela democracia da internet, promotoram contra o despotismo do estilo pessoal, que segundo os exemplares do grupo, aprisionam os artistas em moldes fixos, ressaltando a intaritividade de textos blogueiros. Tal como a movimento que eclodira em 1789 na França, a revolução da informática destituiu os absolutista literários do poder, em prol da liberdade de expressão - daí nasceu Paulo Coelho por exemplo. Obsolescentes, as peculiaridades compositoras da personalidade artística são progressivamente sepultadas, nas visão dos mais liberais, pelos textos colaborativos de autoria interativa.
Tais textos, redigidos por um e influenciado por todos, expressam o estilo de um autor que opta pela falta dele. Um estilo de não estilizar! Pode-se então deduzir que a referida ausência de estilo individual não se contrapõe à ideologia dos autores menos democráticos no âmago da literatura, visto que ambas revelam as identidades dos que as aplicam, pura característica. Não julguemos por julgar. Analisemos a psicologia por intrínseca nas letras.

domingo, 24 de outubro de 2010

Linhas imaginárias

"Uma mentira, contada repetidas vezes da mesma forma, torna-se verdade." A frase é de Joseph Goebbels -conhece?- Ministro da Publicidade Hitler, explica o surgimento das convicções, tão perseguidas pelo filósofo alemão Nietzsche. O conceito semântico de fronteiras é um exemplo dessas convenções oriundas das convicções dos difusores de opinião (classes dominantes).
476. É esse o ano cristão limítrofe entre a idade antiga e a idade média, pois marca a invasão romana pelos guerreiros germânicos. Se questionarmos as mudanças que ocorreram nesse ano na vida das pessoas teríamos uma surpresa. O homem que plantava trigo, agora planta...trigo, é casado com a mesma mulher, brinca igualmente com os filhos, trabalha o mesmo período do dia, enfim, a vida não mudou em nada. O processo de transformação sócio-cultural foi extremamente lento, marcado por mudanças seculares.
Patrícios e Plebeus; Romanos e Bárbaros; Bem e Mal; Nobres e Comuns; Brancos e Negros; Tutizus e Hutus; Dilmistas e Serristas. Em cada situação são estabelecidos fatores e características segregadoras e classificatórias de acordo com o jogo de poderes entre as elites do determinado contexto histórico. A tarja designa as possibilidades sociais, limita o livre arbítrio e confere pré-conceitos.
Século XXI. I-pods, supercomputadores, micro-chips, nanotecnologias, informações e instantaneidade de comunicações. Em meio a terceira revolução industrial, vivemos cercados de tecnologias que fizeram do tempo e espaço quesitos obsoletos e, concomitantemente, serviram de fator limitante entre inclusos e exclusos da sociedade high-tech. As discrepâncias sócio-culturais, devido à imprensa, são mais conhecidas, porém não maiores que de outrora; os classificantes são outros, contudo, exploradores e explorados mantém suas relações.
O fato de algumas fronteiras estarem liquefazendo-se, e outras solidificando-se, apenas demonstra a variedade dos interesses das classes dominantes difusoras de opinião. A evolução científica progride às asas supersônicas dos novos tempos, ao passo que a social é passageira dos antigos carros de bois. Einstein, exemplo de quem transitava pelos vieses sociais e científicos, afirma a um jornal alemão que "estamos em tempos difíceis, em que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito".
Goebbels estava certo, pois é nítido que vivemos embreagados em mentiras verdadeiras que nos julgam, muitas vezes, pelo que não temos condições de mudar. Eis nossa vida, uma sequência de falsidades que não temos coragem de mudar. Mudemos.

Maniquísmo

"A religião surgiu quando o primeiro vigarista encontrou o primeiro tolo". Proferida por Voltaire, filósofo iluminista, a frase evidencia a racionalidade implícita na irracionalidade religiosa. As primeiras explicações para os fenômenos de âmbito natural foram míticas e, logicamente, usadas pelas igrejas para manipulação de uma sociedade crente nessas estórias geralmente magnificamente editadas.
O Criacionismo (corrente de pensamento que defende a criação do mundo por Deus) agrupa uma seleção desses editais. O fogo trazido por Prometeu (mitologia grega) e o sopro de Deus no homem de barro (mitologia judaico-cristã), são exemplos de mitos criacionistas. Como referem-se a diferentes culturas, obviamente distinguem-se completamente, certo? Não exatamente. O desfecho é de uma coincidência interessantíssima: O homem acaba castigado. Na Grécia, Prometeu é acorrentado às montanhas do Cáucaso de onde tem o fígado comido periodicamente por uma águia, e os homens foram castigados com a invenção da mulher -sábios esses gregas- o que faz o povo heleno abandonar a idade do Ouro e adentrar à do Bronze. Na cristandade o homem acaba sendo expulso do paraíso - os mitos criacionistas não gostam muito de mulheres - e condenados a eterna labuta. Tais mitos justificam o sofrimento vivido pelos ouvintes, que reconfortam-se na vontade divina, além de colocar os respectivos deuses em condição chantagista, manipulando o comportamento social.
Contrapondo-se a essa corrente mítica, o evolucionismo baseai-se em resquícios fossilizados e hipóteses lógico-científicas para desenvolver seus preceitos e premissas que buscam a todo tempo provar. Com Lamarck, no início do século XIX, e posteriormente com Darwin e Wallace, em meados do mesmo século, o essa corrente de pensamento foi introduzida no meio acadêmico, com ampla desaprovação da Igreja. No século XX o papa Pio XII declarou que não existem distinções entre o evolucionismo e as ideias católicas, o que fora reforçado por João Paulo II no mesmo século. No mínimo contraditório, visto que a própria Igreja criou e seguiu seus mitos até achá-los convenientes.
O embate entre criacionistas e evolucionistas envolve não apenas os conceitos desses pensamentos como também a guerra ideológica entre Ciência e Religião, atropocentrismo e Teocentrimo, heresia e castidade, lógico e insano. Tal duelo estender-se-á até pela história até a fusão ou extinção de seus seguidores.
De que lados estamos? Renegar Deus, ou renegar a Ciência? Acreditar em bonecos de barro ou em seleção natural? Acreditem na Ciência. Se a religião estiver correta, a ciência, mais cedo ou mais tarde, irá provar. Se a Religião estiver errada, não há porquê defendê-la.

Reality-shows

Mesmo em meados da terceira revolução industrial, em pleno século XXI e com toda essa mídia paparázica, a privacidade continua inclusa na moral burguesa, todavia, a imoralidade presente na exacerbada exibição de comportamentos e costumes alheios, tornou-se objeto de consumo dos cidadãos anônimos.
A partir da famosa Revolução Francesa (1789), a propriedade privada tornou-se um bem inalienável do cidadão (Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão) e, com ela, a privacidade ascendeu como fator moral das sociedades neo-burguesas. Visto isso, a menos que haja a implantação de um sistema socioeconõmico que exclua a propriedade privada, como o comunismo, a privacidade continuará nas bulas da moralidade social.
Com a massificação dos meios de comunicação em tempo real, pioneiramente pelo rádio e imortalizados com a televisão e o computador, houve a concomitante popularização dos das notícias envolvendo aqueles que se destacaram no cenário contextual. Com esses implementos, a mesma burguesia, que outrora lutou pela privacidade, vê na isenção dela uma fonte de lucro, tornando o inalienável em negociável.
Atualmente sempre somos lembrados que devemos sorrir, pois em qualquer lugar estamos sendo filmados. O aumento da violência nos grandes centros e melhoramento tecnológico das empresas de segurança fizeram das ruas verdadeiros reality shows. Nasce agora um paradoxo curioso da nossa sociedade: não queremos que nossa privacidade seja invadida - não é mesmo Cicarelli - todavia não perdemos nenhum BigBrotherBrasil...Sorria!
Que Rousseau e Voltaire não me ouçam, mas a privacidade está sendo substituída lentamente pelos dólares dos direitos de imagem. Os anônimos preservavam, ou pelo menos tentam proteger, a própria imagem assim como prega a cartilha moralista, ao mesmo tempo que assinam paperviews de reality shows, incentivando a imoralidade. Contudo, por incrível que pareça, não há paradoxo nisso, visto que no mundo burguês, por maiores que sejam os princípios morais, os econômicos os sobrepõem, já que são o esteio dessa sociedade. Ou você acha que a Rede Globo faz o BigBrother há vários anos apenas para saber qual o próximo eliminado? Coloquemos esses programas no Paredão e eliminemo-los.

Eros está morto

Neurônios transmitem impulsos elétricos às glândulas endócrinas que liberam hormônios sequenciando reações, as quais somadas definem o que chamamos de sentimento. Euforia, ansiedade, libido, medo insegurança, alegria, vontade de ficar perto quando se está longe e vontade de ficar dentro quando se está perto. Já sentiram coisa assim? Essas são as sensações constituintes do mais cristão dos sentimentos, o Amor. Este, assim como a amabilidade é condicionado por genes que foram selecionados no processo evolutivo humano, reflitemos...
Retornemos à pré-história. imaginemos, em um grupo de hominídeos um macho dócil e amável e um bruto, agressivo, anti-social. O primeiro constituirá primeiro relações nupciais e terá uma prole maior que a do segundo, fazendo com que seus genes da amabilidade perpetuem no processo evolutivo. É lógico.
Na antiguidade clássica, poucos fugiam às flechas de Eros (cupido). A casualidade das flechadas, assim como a irreverência do deus, demonstram expledidamente a inexatidão das relações humanas e seus sentimentos - os gregos eram bons em avaliar tais relações. O Amor era uma dádiva divina, um presente àqueles que mereciam, o que tornava o Amor algo magnífico e saudável.
Com a ascensão do Cristianismo, esse nobre sentimento, assim como os dogmas religiosos, foi difundido como acesso à salvação, assumindo uma certa obrigatoriedade, e obviamente sendo usado para manipulação das massas. Deus exige ser amado acima de tudo e convenientemente habita as igrejas e cobra dízimo. Foi nesse contexto que mais uma sensação foi incorporada ao Amor, a submissão, muito bom para o Clero, não acha? E, então, perdemo o tesão em amar.
Os genes da amabilidade, selecionados pela seleção natural, manipulam as reações endócrinas que compõem as sensações presentes no Amor. Este, por sua vez, sofreu no decorrer do peristautismo histórico, mudanças que o transformaram de flechada casual em instrumento de manipulação, mas seja de uma forma ou de outra, é uma convenção que criamos para designar algo que não podemos explicar com palavras e que oprime-nos e extasia-nos, sendo assim, é irreal. Segundo palavras do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, "as convicções são inimigas mais perigosas da verdade que a própria mentira". Eros está morto.

Dialética

Os moldes de uma geração são, indubtavelmente, formados pela predecessora. Ao longo do peristautismo histórico, constata-se o caráter social, político, econômico, filosófico ou artístico do ser humano vais de ou ao encontro dos ideais aos quais ele foi submetido na infância ou juventude.
Os que quebram os costumes e rebelam-se contra as ideologias anteriores, têm em filosofias ascendentes e fatos que fissuram a história o estopim de sua rebeldia existencialista. Pensemos: as guerras mundiais (1914-1918/1939-1945) originaram-se por pensamentos que extinguiram-se posteriormente. O racismo não foi introduzido na Alemanha por Hitler, visto que já era característico do povo germânico. Eis que no pós-guerra pensamentos de respeito às diferenças afirmam-se, surgindo passeatas homossexuais, movimentos black-power e hippies.
O oposto faz-se de mesma forma verdadeiro. Em grandes períodos de estabilidade, sem grandes movimentos revoltosos, nem rupturas do sistema - como o nosso, com o Lulismo e seus 81% de adeptos - as mentalidades conservam-se. No Feudalismo, por exemplo, o modelo perdurou estável por dez séculos, ajudado é claro pela opressão consentida da Madre Igreja, a qual reprimia novas ideologias antes de serem analisadas. Contudo, confirmando minha tese, foi justamente essa opressão psíquico-mental, alicerce da estabilidade medieval, que no século XIV a Europa afunda na peste negra e apenas recupera-se com a quebra do sistema feudal (haja visto que a moralidade cristã do período tentara fazer os cristão preocupados com a espiritualidade e abominadores dos aspectos carnais, o que desenvolveu uma insalubre falta de higiene que ajudou a peste a proliferar-se).
Foi na antiguidade grecorromana que a dialética foi codificada por Heráclito. Existe uma tese e uma antítese, e desse confronto nasce uma síntese, que assume o papel de uma nova tese, fechando o ciclo dialético. Caso a antítese seja inexpressiva, a síntese assume propriedades muito próximas da premissa, como ocorre nos períodos estáveis da sociedade. Caso contrário, o sistema é quebrado e novos modelos ganham importância. Isso explica, por exemplo, o porquê do socialismo ou anarquismo não terem "vingado", ou do cristianismo e do capitalismo ainda governam o ocidente, ou ainda porque somos favoráveis aos EUA.
Seja pela negação ou pela aceitação, as gerações sequenciam-se influenciando sues sucessores, causando-lhes mudanças. Tais transformações, tangenciando o âmago humano foi exemplificada pelo pai da dialética, citado anteriormente, quando proferiu que "um homem não se banha duas vezes no mesmo rio". O rio muda, as águas passam, mas o homem transforma-se da mesma forma, conforme vai aceitando ou não aquilo que lho é imposto.

sábado, 23 de outubro de 2010

Válvula de escape

Ressaca; descontrole motor; amnésia reversível; dificuldade de concentração; perda de consciência; amnésia definitiva; danos cerebrais; cardiopatias; hepatite; cirrose; missa de sétimo dia. Os efeitos do álcool -agora deve-se escrever ETANOL- no organismo de um jovem ultrapassa dores de cabeça e foto sensibilidade. Nove de cada dez doenças que assolam recém adultos são oriundas de exageros viciosos na juventude, visto isso, não é raro jovens alcoólatras não conseguem tornar-se adultos alcoólatras.
Mesmo não tendo seus fígados e cérebros degenerados, a família adoece com casos de alcoolismo. Muitas vezes incentivadores do primeiro gole, arrependem-se da negligência quando os primeiros sintomas assolam suas residências. Brigas, discussões, filhos dormindo em carros mal-estacionados pela madrugada, são consequências do descontrole ébrio de uma entidade doente. Valores inestimáveis são gastos por motivo alcoólico, desde a compra de uma cerveja aos prantos do filho acidentado. Fatores que desgastam relações, embriagam a razão e deixam sóbrias as dores da perda.
Droga lícita. Toxina legal -e bota legal nisso-, o álcool é hoje a droga mais consumida no mundo -depois talvez de CD's de funk. De 10 a 12 anos, é essa a idade em que se inicia os risos no boteco, provavelmente aos 15, o alcoólatra já circula nas veias da sociedade e aos 18, consegue a CNH. A inclusão social é um dos motivos mais citados -o outro é: Mas era Open-bar!- resultando em um mau desempenho escolar dos jovens nessas condições, que desenganam nosso futuro. A vida sexual promíscua e negligente de um bêbado faz das doenças venéreas um suvinir da atualidade, e os inúmeros acidentes automotivos deixam na pirâmide etária uma lacuna irreparável, que afetará as futuras gerações.
O alcoolismo na adolescência pode e deve ser entendido como uma espécie de termômetro social. As crianças estão sendo exageradamente cobradas com gerúndios e artrópodes, além da precoce educação, ou seja, a sociedade as submetem à grande pressão para ausentarem-se em seus papéis educacionais não oferecendo recursos emocionais para que lidem com a situação. Os pais entopem-nas de informações cartesianas, o que gera uma fuga ortogonal que juntamente com a maravilhosa fiscalização brasileira, criam bebuns juvenis. Não tenho nada contra um adulto tomar uma, duas ou doze latinhas de cerveja, mas se você encontrar seu priminho de dez anos tomando Vodca embaixo da cama antes de dormir, preocupe-se.

Vinho, fel e hipocrisia social

Dioniso e Apolo discutem no Olimpo: Qual será a melhor bebida?
A divindade vinícola defende, é claro, o vinho. Irreverente, ébrio, doce, palatavelmente divino e com a propriedade e saciar a sede existencialista. Por sua vez, o soberano do Sol aponta o fel como principal líquido. Amargo, impalatável, intragável, porém aparente à época, símbolo de status entre as divindades e causa da soberba entre todos, é ele quem sacia a sede fútil da sociedade vil.
O filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, em seu célebre livro "Assim falo Zaratustra" defende a transformação humana. Nascemos e transformamo-nos em Leões, ferozes, insaciáveis pelo conhecimento, impetuosos, sem temores ou fraquezas. Saímos dos moldes felinos assumindo as propriedades de um camelo, fortes, resistentes, duros, mas submissos, cargueiros, subalternos. Eis que enfim, poucos de nós transformamo-nos em crianças, pois só elas tem criatividade, condições de evolução e, principalmente, autenticidade.
O pai da psicanálise, por sua vez, Sigmund Freud, em uma de suas famosas explicações acerca do comportamento humano, profere que todos tornamo-nos adultos, todavia para tanto, necessitamos escolher uma máscara, a qual usaremos em todos os momentos aos quais somos submetidos.
Juntando as duas teorias, não diferentemente excepcionais, e compararmo-las às bebidas que devemos ingerir para evoluir, diremos que a irreverência e essência infantil está para o vinho dionisíaco, assim como a máscara freudiana está para o status quo do fel apolínico.
O politicamente correto é algo que nos consome em nossas crônicas diárias. O que dizer, como pensar, reagir, atribuir, reclamar, ..., existir, o que demonstra a falsidade dos Apolos constituintes da sociedade. O negro tornou-se afro-descendente -o que fazer com nomes como Walter Negrão?- e o gordo, fisicamente avantajado - não vejo vantagem alguma. É uma insana hipocrisia pensar que a simples substituição da forma de tratamento isente da contemporaneidade o racismo, xenofobia, homofobia ou a nova emofobia (aqueles de franja colorida).
A transformação de adultos em criança, mesmo no mundo da conotação, é utópica. Continuamente Apolos vencem Dionisos e impõem o fel da aparência à sociedade. As convicções estão arraigadas de tal forma ao solo social, que passam imunes às tempestades racionais que adentram a floresta humana de tempos em tempos.
O fel afoga as mentes politicamente corretas, enquanto o vinho envelhece nas lembranças de quando éramos leões. Foda-se o politicamente correto! Digamos não a ele, para que as convicções assumam sua hipocrisia e a verdade embriague-se no mais puro vinho divino.