"A religião surgiu quando o primeiro vigarista encontrou o primeiro tolo". Proferida por Voltaire, filósofo iluminista, a frase evidencia a racionalidade implícita na irracionalidade religiosa. As primeiras explicações para os fenômenos de âmbito natural foram míticas e, logicamente, usadas pelas igrejas para manipulação de uma sociedade crente nessas estórias geralmente magnificamente editadas.
O Criacionismo (corrente de pensamento que defende a criação do mundo por Deus) agrupa uma seleção desses editais. O fogo trazido por Prometeu (mitologia grega) e o sopro de Deus no homem de barro (mitologia judaico-cristã), são exemplos de mitos criacionistas. Como referem-se a diferentes culturas, obviamente distinguem-se completamente, certo? Não exatamente. O desfecho é de uma coincidência interessantíssima: O homem acaba castigado. Na Grécia, Prometeu é acorrentado às montanhas do Cáucaso de onde tem o fígado comido periodicamente por uma águia, e os homens foram castigados com a invenção da mulher -sábios esses gregas- o que faz o povo heleno abandonar a idade do Ouro e adentrar à do Bronze. Na cristandade o homem acaba sendo expulso do paraíso - os mitos criacionistas não gostam muito de mulheres - e condenados a eterna labuta. Tais mitos justificam o sofrimento vivido pelos ouvintes, que reconfortam-se na vontade divina, além de colocar os respectivos deuses em condição chantagista, manipulando o comportamento social.
Contrapondo-se a essa corrente mítica, o evolucionismo baseai-se em resquícios fossilizados e hipóteses lógico-científicas para desenvolver seus preceitos e premissas que buscam a todo tempo provar. Com Lamarck, no início do século XIX, e posteriormente com Darwin e Wallace, em meados do mesmo século, o essa corrente de pensamento foi introduzida no meio acadêmico, com ampla desaprovação da Igreja. No século XX o papa Pio XII declarou que não existem distinções entre o evolucionismo e as ideias católicas, o que fora reforçado por João Paulo II no mesmo século. No mínimo contraditório, visto que a própria Igreja criou e seguiu seus mitos até achá-los convenientes.
O embate entre criacionistas e evolucionistas envolve não apenas os conceitos desses pensamentos como também a guerra ideológica entre Ciência e Religião, atropocentrismo e Teocentrimo, heresia e castidade, lógico e insano. Tal duelo estender-se-á até pela história até a fusão ou extinção de seus seguidores.
De que lados estamos? Renegar Deus, ou renegar a Ciência? Acreditar em bonecos de barro ou em seleção natural? Acreditem na Ciência. Se a religião estiver correta, a ciência, mais cedo ou mais tarde, irá provar. Se a Religião estiver errada, não há porquê defendê-la.
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